27 de jan. de 2014

neo burlesco (crônica/arte)






Com suas raízes profundas numa expressão puramente espontânea, libertária, anárquica de uma criação artística maravilhosamente ingênua, a atitude poética do artista cênico Neoburlesco é a que mais ainda resiste, preserva e reinventa aquela manifestação estética imoral, não profissional, provocativa dos valores estabelecidos e completamente irracional, que é a única capaz de proteger e manter viva a imprescindível qualidade do devaneio e do delírio do artista. Este ato estético estrondoso, que mantém uma linha direta com uma das mais antigas formas de arte poética da humanidade, o teatro, é ao mesmo tempo dramático, exagerado, cômico, grotesco, sublime e, no entanto, extremamente humano, político e filosófico. É, por isso, uma das revoltas mais potentes contra a moralidade opressora do padrão moralista, da cultura de massa, da dominação e da homogeneização da imaginação humana em função da exploração e escravização de nossas idéias, nossas emoções e nosso corpo. A liberdade que a alma burlesca espalha para todo lado deve, sem nenhuma sombra de dúvida, arrebatar o processo criativo de todo artista verdadeiro. Como bem lembra Mikhail Bakhtin, a poética e a estética do burlesco é uma oposição real à uma espécie de “seriedade oficial”, unilateral e triste, que é sempre dogmática e hostil à evolução e às mudanças.





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