26 de jan. de 2014

as nuvens (poema)










As nuvens estão sempre em peregrinação

Na sua cadência religiosa negam estandartes

Seres místicos de toda uma vida abnegada

Seu deslocamento ritual é uma expressão sagrada

São viajantes e aventureiras que abandonaram tudo

Mas é de sua dança e vôo que todas as nossas idéias nascem

Quando passam em romaria para lugares secretos

Podemos ver as coisas do mundo em seus movimentos

Todas em algum lugar se encontrarão em silêncio

Porém sua fé explodirá seu pranto surpreendentemente

Algumas somente caminharão proféticas em deslizamento

Outras serão telúricas pregadoras de um apocalipse estrondoso

Tantas maneiras têm para andar em sua jornada santa

Com seus mistérios e dogmas de paixão e sacrifício

Saíram sem nada desejar e se desprenderam ainda mais

Só carregam agora o peso da alma

Em busca de seu templo em alturas infinitas

Sua brusca ascensão cede seu corpo em glória elétrica

No milagre simples de sua úmida beatificação

Nos abarcam monstruosas em nosso tempo de terror

Ou são a providência da revelação de uma paz inexprimível











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