29 de jun. de 2026

Malestar das Estorinhas (poema)



Nada vinga destas tuas certezas
Essa tua conversa sem malestar
Senão atrás dos quase alcançados
Dos desencontrados nas fronteiras

Sem o eco desta tua voz melosa
Teu manual das boas qualidades
Tanto resgatar os desperdiçados
Desagregados perdidos da estrada

O ranço da tua estória enfadonha
Explicações do futuro afiançado
Quanto no rastro dos comiserados
Das rezas dos poemas inacabados




27 de jun. de 2026

Mais é Menos e Menos é Mais (crônica)




Mais é menos e menos é mais


O paroxismo acumulador da erudição não elimina o primitivismo ingênuo da imaginação; no entanto, atrapalha muito, confundindo sua movimentação. O seu patrimônio habita somente o reino da memória, onde a consciência foi escravizada. Para a libertação da originalidade, é preciso assumir a revolução heroica do imaginário e resgatar das masmorras do senhor da razão o impulso criador. A obra do erudito é interessante em si, mas qualquer mudança necessária vem de antes, está nas disposições que se realizam tanto pela ingenuidade quanto por aquela erudição. Inadvertidamente, como esta última é grande e poderosa, tende a parecer mais relevante do que aquela anterior; porém, ambas têm o mesmo acesso aos processos de criação, e é apenas isso que deveria interessar. E é demasiadamente importante essa compreensão se existe um anseio genuíno por qualquer transformação. Justamente porque a erudição é autofágica e, alimentando-se de si mesma e provocando uma metástase dessa confusão, obriga cada vez mais o erudito a ser recluso de uma realidade que o ingênuo, ao contrário, experiencia plenamente e, por isso, é muito mais apto a transformar. O ingênuo coletiviza o conhecimento que produz; por outro lado, o erudito se apropria deste, agregando-o ao seu próprio e, além de desvalorizar aquela ingenuidade, capitaliza a ambos como se fossem apenas seus. O erudito trata o ingênuo como se este fosse portador de alguma deficiência e, ao se dirigir a este, aquele muda até o tom de voz, inventando amenizações linguísticas, como se temesse ofendê-lo mostrando aquilo que, em uma suposição arrogante, não conseguiria entender de forma direta. Libertária, a ingenuidade é essencialmente uma servidora; entretanto, a erudição é reacionária e substancialmente uma dominadora. Esta condição também reverbera sobre a sociedade que, por sua vez, devolve ampliando aquilo que exige dos indivíduos. Seja o comerciante, o prestador de serviços ou o agricultor, estes produzem ingenuamente por uma necessidade coletiva, e não porque a erudição institucionalizada organiza a produção, senão, ao contrário, explora-a, colonizando sua produtividade. Nas suas sagas incongruentes, o erudito é um obcecado e o ingênuo é um contemplador. A erudição, exclusiva e excludente, tem fascinação pela tirania, pelo poder sobre aquilo que possui e raramente compartilha. A ingenuidade, anônima, plural e anárquica, doa tudo o que tem para fazer crescer os saberes de todos.



25 de jun. de 2026

Chronicle of the Eternal (chronicle)



Chronicle of the Eternal

The actual atomic premise considers infinity only in the vast, not the tiny; yet, just as with the external, the internal should also lack a defined dimension. Thus, taking the molecule as the fundamental building block would be akin to regarding the firmament as the whole universe. Indistinctly, the big and the small that can be seen is only an agglutination, brought about by a force that is still inconceivable, even though it can already be perceived as a part of something else. While it is unknown whether the universe is finite in its expansion, it becomes equally impossible to know if it is finite in its contraction. So, eternity runs through all existence. This means that if it is impossible to comprehend the whole, there will always be the unknown; therefore, the unknown is the infinite. If it is not possible for anyone to know all that could possibly be discovered about the universe, then ignorance is eternal, and the unknown is the ultimate observable infinity itself.