Um Mote
A partir de um contexto de serviço voluntário e de trabalho profissional
como educador, desde oficinas de arte com crianças, programas para recuperação
da adicção às drogas e álcool, um estágio de pesquisa para um trabalho de
conclusão de curso de pedagogia sobre as iniciativas socioeducativas de reclusão
de adolescentes, mais uma dissertação de mestrado em educação resultante das
reflexões sobre atividades organizadas para qualificação de professores, surge
uma problematização da organização do processo artístico. Através de uma
metodologia semiótica focada nos movimentos da imaginação, propõe-se uma base teórica
e prática de trabalho, tanto educativo quanto psicológico, sobre algumas
disposições imagéticas intrínsecas a um signo anímico no entendimento do espectro
de seus conflitos e de suas vocações, da pessoa e do seu ambiente, visando um alinhamento
entre pensar, sentir e agir, para a sobriedade e a compaixão.
Todas as referências e fontes para reflexões apresentadas se encontram com as aspirações surgidas dentro dos trabalhos de educação estética que nestes anos pesquisei e implementei, sempre abordadas através de uma fenomenologia dessa imaginação, especialmente pela capacidade destas em definir qualidades fundamentais do ser humano. O objetivo principal não é, porém, propor ações modelares, com a instrumentalização de técnicas específicas e voltadas apenas ao produto artístico, mas, está no desenvolvimento de uma concepção do que entendo como uma aproximação escalar, emergida tanto de necessidades quanto de potencialidades, na ampliação da consciência do ser e do seu mundo, pela apreensão, em seus dois significados, de um domínio do processo artístico imaginativo, apresentando o estudo e produção do poema e da pintura abstrata como seu melhor, maior e imprescindível momento, através de uma proposição para o cultivo dessa alma.
Assim, partindo das definições dessa qualidade anímica primordial relacionada a uma dialética poético-estética, que proponho se inicia em Platão (Sócrates) desdobrando-se na concepção de catarse em Aristóteles, também como da psicologia e da pedagogia, principalmente pela sua fundação semiótica de Saussure e Peirce como realinhada por Eco, , seguindo as descrições polissemicas de Jung, a emocionante retomada do fenômeno de Florença por Hillman e a insuspeita redefinição leiga da consciência em Krishnamurti, esta proposta visa redefinir alguns conceitos e signos a esta referentes, para propor um uma reflexão e um trabalho essencialmente pedagógico, que orbita entre a compreensão de arte em Vigotski e em Benjamin, redimensionando-os para reorganizar a aproximação destes elementos na proposição de um processo genuíno e imprescindível, imbricando subjetividade e objetividade, ou seja, enfatizando a importância tanto da sua potencialidade interior quanto da expressão exterior nos processos artísticos, de sua produção e de sua apreensão, para sugerir hipóteses sobre alguns possíveis novos aspectos para enriquecer iniciativas de formação humana contemporânea e integral, numa ampliação para um conceito de educação poético-estética.
